Evangelho simples ou “teatral”?

É hora de começar o show. O horário está marcado: 19 horas. Os adereços estão prontos; o ambiente climatizado; os assentos bem colocados; tudo limpo e cheiroso e aos poucos a “plateia” vai chegando. Cada qual ocupa seu lugar de forma que se possa ver melhor o “palco” e não se perca nada do que lá será “apresentado”. Os “figurantes” estão todos nos seus devidos lugares e com “gentileza” recebem a plateia para o espetáculo. Os “atores” vem chegando também e cada com suas particularidades. Alguns mais extrovertidos, outros mais tímidos, mas o sentimento mais evidente é o “desejo” pelo palco. Começa o “evento” e os atores fazem suas apresentações com maestria e “perfeição”. Canta, choram, pregam, riem e fazem tanta coisa movidos por um sentimento que aparentemente diz a “respeito da manifestação do poder de Deus” em seus corações. E aí vai até o final da “reunião”. Ao final, abraços, apertos de mãos, “sorrisos” e troca de olhares e cada um vai pra sua casa. A plateia ainda êxtase, volta pra suas casas comentando sobre a reunião e tudo o que puderam “ver” na reunião. Se deixar, o assunto entra madrugada adentro, porque há tanta coisa que foi “vista” que é necessário ser falada. Os atores, da mesma forma, voltam para suas casas contando “seus grandiosos feitos” e como conseguiram envolver a plateia em mais um “culto a deus”. Mas aí, nasce um novo dia e o vazio continua profundo na alma da plateia e dos atores do encontro. as dores continuam forte, a mente continua confusa, os pensamentos “impuros” continuam latentes e tantas outras coisas continuam presente na vida de todos. Alguns caem na depressão, outros numa angústia profunda, outros amargurados por que não receberam um abraço ou um olhar carinhoso, outros percebem que em nada foram edificados, em nada aprenderam algo novo para a vida cotidiana. E assim, milhares e milhões de almas ao redor do planeta voltam para a normalidade da vida a espera pelo próximo encontro para mais uma vez assistir ao “espetáculo”.

Antes de tudo, peço que você que está lendo estas palavras, não pense que estou generalizando o que acontece na “igreja” que se diz evangélica, mas é uma simples leitura do que se tornaram muitos dos ambientes ditos “ser o lugar onde Deus se manifesta”. A simplicidade do Evangelho de Jesus vem contra toda essa “formatação” onde o “espetáculo” já se tornou mais importante do que a consciência do “Ser a quem dizemos servir e adorar”. É triste falar isso, mas é a realidade que vemos todos os dias seja nos lugares, na televisão e em tantos outros meios onde se fala de Jesus, onde se fala do poder do Seu Nome, mas onde a frieza já tomou o lugar nos corações. Talvez você me pergunte:

– Geziel, então qual o seu interesse em escrever este artigo e fazer essa “leitura”?

Minha resposta é simples e objetiva: servir a Deus não tem nada haver com modelos, métodos, doutrinas, tipos ou estilos, mas tem haver com um coração que ao encontrar-se com o Autor de toda vida, acolheu a boa semente da palavra do Espírito e sua vida foi transformada. Ainda que vivendo neste mundo, ainda que errando, pecando muitas vezes, no seu coração há espaço para arrependimento, confissão e mudança de atitude. Para muitos o Evangelho só é valorizado pela sua teatralidade. Sem teatro não tem show, sem show não tem plateia, sem plateia não há como enganar e manipular a alma dos mais simples. Fico triste ao ver que muitos tratam “Ele” apenas como uma saída para seus “desejos” e ainda não compreenderam que “Ele” não é um objeto de uso pessoal, mas uma vida verdadeira que pode dar sentido ao coração humano. O “Divino” se tornou humano para mostrar que sendo humano se pode ser “Divino” no proceder com a vida. Não precisamos de “teatralidades” para dizer que somos do Evangelho, não precisamos de “apresentações mirabolantes” e de sentir arrepios e frenesis para dizer que Ele  nos visitou. Não precisamos ser notados pelos que nos rodeiam para que a nossa “alma sinta-se” bem, precisamos assumir definitivamente a identidade que Dele recebemos: somos filhos do Seu amor! Um dia, receberemos um novo nome que Ele já tem para cada um de nós e quando o recebermos tudo o que aqui fizemos ou vivemos não há de se comparar com a glória que nos aguarda.

Que não sejamos parte desse “teatro gospel” que engana, manipula, distorce e escraviza a alma das pessoas, mas que em Jesus sejamos livres e libertos pela sua verdade, a verdade que não está nas exterioridades, mas na transformação que Ele produz em nosso interior. Pense nestas palavras e que Deus abençoe sua vida ricamente.

No amor de Jesus para servir, Geziel Freitas, abraços sinceros!

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